Só 13 países e territórios cumprem o limite da OMS para ar seguro

Nuno Cruz

28 de Março, 2026

Horizonte urbano com poluição atmosférica ligeira a moderada

Só 13 países e territórios ficaram dentro da diretriz anual da OMS para PM2.5, segundo o novo relatório mundial da IQAir sobre qualidade do ar. Isto não significa que o resto do mundo tenha ar “irrespirável” todos os dias, nem que nesses 13 locais o risco seja zero. Significa, isso sim, que a esmagadora maioria continua acima do valor de referência usado pela Organização Mundial da Saúde para partículas finas no ar.

Em poucas linhas

  • O relatório da IQAir diz que só 13 países, regiões e territórios cumpriram a diretriz anual da OMS para PM2.5.
  • A referência da OMS para PM2.5 é de 5 microgramas por metro cúbico em média anual.
  • 130 em 143 países e territórios analisados ficaram acima desse valor.
  • Portugal também ficou fora do grupo que cumpre a meta.

O que significa, afinal, “ar seguro”

Neste cobtexto, “ar seguro” é uma forma abreviada de falar da diretriz anual da OMS para PM2.5. Estas partículas finas, com diâmetro até 2,5 micrómetros, estão associadas a problemas cardiovasculares, respiratórios e a maior risco de doença e morte prematura. A OMS recomenda uma média anual de 5 µg/m³.

Cumprir a diretriz da OMS não quer dizer ausência total de risco. Quer dizer apenas que o local ficou dentro do valor de referência que a organização considera mais protetor para a saúde.

Quais são os 13 países e territórios

Segundo a IQAir, os 13 que ficaram dentro da diretriz anual da OMS em 2025 foram: Polinésia Francesa, Porto Rico, Ilhas Virgens dos Estados Unidos, Barbados, Nova Caledónia, Islândia, Bermudas, Reunião, Andorra, Austrália, Granada, Panamá e Estónia. Há um detalhe relevante: a lista não inclui apenas países soberanos. Inclui também territórios.

O retrato global

O mesmo relatório conclui que 130 dos 143 países e territórios analisados ficaram acima da referência anual da OMS para PM2.5. E só 14% das cidades avaliadas cumpriram essa meta em 2025, abaixo dos 17% registados em 2024.

Entre os países com pior resultado, a IQAir destaca Paquistão, Bangladesh, Tajiquistão, Chade e República Democrática do Congo. A Reuters acrescenta que a cidade mais poluída foi Loni, na Índia, com uma média anual de 112,5 µg/m³.

Porque é que o problema persiste

O relatório liga os maus resultados a uma combinação de fatores já conhecidos: emissões industriais, tráfego, queima de combustíveis, poeiras e episódios extremos como incêndios florestais. Em 2025, a própria IQAir destaca o impacto dos incêndios na degradação da qualidade do ar, incluindo efeitos sentidos fora das zonas diretamente atingidas.

Há também uma nota de cautela importante sobre os dados. A Reuters refere que o fim de um programa de monitorização dos EUA em embaixadas e consulados enfraqueceu a recolha em dezenas de países e deixou alguns sem cobertura suficiente para entrar no relatório. Isso não invalida a tendência geral, mas lembra que medir bem continua a ser parte do problema.

E Portugal?

Portugal não entrou no grupo que cumpre a diretriz da OMS. Na página da IQAir dedicada ao país, a média de 2025 aparece em 7,9 µg/m³, ou seja, cerca de 1,6 vezes acima do valor anual recomendado pela OMS.

Isto não coloca Portugal entre os piores casos do mundo, mas também não permite falar em ar “dentro do limite seguro” segundo a referência usada nesta notícia. Para o leitor português, este é provavelmente o dado mais útil: o país está longe dos cenários mais graves, mas continua acima da meta da OMS.

Para quem já vive com maior sensibilidade respiratória, este não é um tema abstrato. Quem sofre de rinite ou asma pode sentir mais os efeitos de um ar com pior qualidade, como explicámos neste artigo sobre Alergias de Primavera: o guia de sobrevivência para quem sofre de rinite e asma.

Porque é que isto importa para a saúde

A OMS diz que a poluição do ar exterior continua a ser um grande problema de saúde pública e estima que tenha causado 4,2 milhões de mortes prematuras por ano em 2019. A organização associa a exposição a partículas finas a AVC, doença cardíaca, cancro do pulmão e doenças respiratórias agudas e crónicas.

No dia a dia, algumas medidas simples podem ajudar a reduzir a exposição a irritantes dentro de casa, sobretudo em épocas mais difíceis para quem já tem sintomas respiratórios. Reunimos essas dicas neste artigo com 9 gestos simples para ter menos pólen em casa nesta primavera.

Em resumo

O novo relatório da IQAir indica que só 13 países, regiões e territórios ficaram dentro da diretriz anual da OMS para PM2.5. Isso não quer dizer que só esses locais tenham ar sempre limpo, mas mostra que a maioria do planeta continua acima do valor de referência usado para proteger a saúde.

Portugal também fica fora dessa lista.

Fontes: