No passado dia 11 de maio, celebrou-se o Dia Europeu do Melanoma. Este dia existe para sensibilizar a população para a prevenção, diagnóstico precoce e tratamento do cancro da pele.
Um sinal que muda de forma, cor, tamanho ou textura não deve ser ignorado. Na maioria dos casos, uma alteração na pele não significa melanoma, mas é precisamente por isso que a avaliação médica é importante: só um profissional pode distinguir o que é benigno do que precisa de atenção.
O melanoma é menos frequente do que outros tipos de cancro da pele, mas pode ser mais agressivo. Pode surgir a partir de um sinal já existente ou aparecer como uma nova mancha na pele.
A propósito das campanhas europeias de sensibilização para o melanoma, a mensagem principal não deve ser de medo. Deve ser de prevenção e deteção precoce.
Em poucas linhas
- O melanoma é uma forma agressiva de cancro da pele.
- Pode surgir num sinal existente ou aparecer como uma nova lesão.
- Alterações de forma, cor, tamanho ou textura devem ser valorizadas.
- A regra ABCDE ajuda a identificar sinais suspeitos.
- Um sinal diferente de todos os outros, o chamado “patinho feio”, também deve chamar a atenção.
- Evitar queimaduras solares é uma das medidas mais importantes de prevenção.
- A deteção precoce aumenta a probabilidade de tratamento atempado.
O que é o melanoma?
O melanoma é um tumor maligno que se desenvolve a partir dos melanócitos, as células que produzem melanina, o pigmento que dá cor à pele.
Segundo informação do IPO Lisboa, é menos frequente do que outros tumores da pele, mas é mais agressivo. Pode surgir como um sinal escuro em pele aparentemente normal e desenvolver bordos irregulares ou cores diferentes ao longo do tempo.
Também pode aparecer em zonas menos expostas ao sol. Por isso, observar apenas rosto, braços e ombros não chega.
Os sinais na pele que deve vigiar
A Liga Portuguesa Contra o Cancro indica que o primeiro sinal de melanoma é muitas vezes uma alteração num sinal existente. Essa alteração pode envolver tamanho, forma, cor ou textura.
Também pode surgir um novo sinal com aspeto diferente, escuro, irregular ou simplesmente estranho quando comparado com os restantes sinais da pele.
A regra mais conhecida para ajudar a identificar sinais suspeitos é a regra ABCDE.
A de assimetria
Um sinal deve levantar suspeita se uma metade não se parece com a outra.
B de bordos
Bordos irregulares, esbatidos, recortados ou pouco definidos merecem atenção.
C de cor
Várias cores no mesmo sinal, como castanho, preto, vermelho, branco, cinzento ou azul, podem ser sinal de alerta.
D de diâmetro
Um sinal com diâmetro superior a 6 milímetros, ou que esteja a aumentar, deve ser observado. A dimensão não é o único critério, mas ajuda a orientar a atenção.
E de evolução
Este é um dos pontos mais importantes. Um sinal que muda ao longo do tempo, mesmo que não cumpra todos os outros critérios, deve ser avaliado.
O sinal “patinho feio” também importa
Além da regra ABCDE, há outra ideia útil: o sinal “patinho feio”.
Se tem vários sinais parecidos e um deles é claramente diferente dos outros, deve prestar atenção. Pode ser mais escuro, maior, mais irregular, mais saliente ou ter um aspeto que não combina com o padrão da sua pele.
Isto não significa que seja melanoma. Significa que deve ser visto por um profissional de saúde.
Quando deve marcar consulta?
Deve marcar consulta se notar alguma destas alterações:
- um sinal que cresceu;
- um sinal que mudou de cor;
- um sinal com bordos irregulares ou pouco definidos;
- comichão persistente num sinal;
- sangramento, crosta ou ferida que não cicatriza;
- uma nova mancha escura com mau aspeto;
- um sinal diferente de todos os outros;
- uma lesão que evolui rapidamente.
Não tente fazer diagnóstico em casa. A auto-observação serve para perceber quando algo mudou e deve ser avaliado.
Como observar a pele em casa
Escolha um local com boa luz e use um espelho de corpo inteiro. Um espelho pequeno ajuda a observar zonas mais difíceis.
Veja rosto, couro cabeludo, orelhas, pescoço, peito, costas, barriga, braços, mãos, pernas, pés, plantas dos pés, unhas e espaços entre os dedos.
Se vive com alguém de confiança, peça ajuda para observar costas e couro cabeludo. Também pode tirar fotografias dos sinais que quer vigiar, sempre com a mesma luz e distância, para perceber se mudaram.
O objetivo não é ficar ansioso com cada pinta. É conhecer a sua pele para reconhecer alterações.
Prevenção: proteger a pele
A prevenção do melanoma passa por reduzir a exposição excessiva à radiação ultravioleta.
Isto não significa evitar completamente o ar livre. Significa evitar queimaduras solares e proteger a pele de forma consistente, sobretudo nos meses de maior radiação UV.
Medidas úteis:
- evitar exposição solar nas horas de maior intensidade;
- procurar sombra quando o índice UV está elevado;
- usar chapéu, de preferência com abas;
- usar óculos de sol com filtro UV;
- usar roupa que cubra ombros, costas e peito quando estiver muito tempo ao ar livre;
- aplicar protetor solar nas zonas expostas;
- reaplicar protetor solar depois de nadar, transpirar ou usar toalha;
- evitar solários.
O IPMA recomenda, quando o índice UV é elevado, o uso de óculos de sol com filtro UV, chapéu, t-shirt e protetor solar. Nos níveis muito elevados e extremos, os cuidados devem ser reforçados, incluindo guarda-sol e evitar a exposição das crianças ao sol.
Protetor solar ajuda, mas não resolve tudo
O protetor solar é importante, mas não deve ser visto como uma licença para ficar ao sol durante horas.
A proteção deve combinar várias medidas: sombra, roupa, chapéu, óculos de sol e horários mais seguros.
Também é importante aplicar quantidade suficiente e reaplicar ao longo do dia. Um protetor solar usado em pouca quantidade protege menos do que o valor indicado no rótulo.
Se tem uma embalagem antiga em casa, confirme a validade, o estado do produto e o tempo após abertura antes de a usar. Este guia explica se pode usar o protetor solar do ano passado.
Se vai comprar um novo, também pode ver a lista de protetores solares de supermercado que podem compensar em 2026.
Crianças e adolescentes precisam de atenção especial
As queimaduras solares na infância e na adolescência são particularmente importantes na prevenção do cancro da pele ao longo da vida.
Crianças devem ter sombra, chapéu, roupa adequada e protetor solar nas zonas expostas. Em dias de índice UV muito elevado, a exposição direta deve ser evitada, sobretudo nas horas de maior radiação.
Nos adolescentes, há outro ponto crítico: a procura de bronzeado. A ideia de que “um bronzeado de base” protege a pele é enganadora. Também não é seguro usar solários para “preparar” a pele para o verão.
Quem deve ter mais atenção?
Qualquer pessoa pode desenvolver cancro da pele, mas há grupos que devem ser mais vigilantes.
- pessoas de pele clara;
- quem tem muitos sinais;
- quem tem sinais irregulares ou muito diferentes entre si;
- quem teve queimaduras solares fortes, sobretudo em jovem;
- quem tem antecedentes pessoais ou familiares de melanoma;
- quem trabalha muitas horas ao ar livre;
- quem usa ou usou solários;
- pessoas imunodeprimidas.
Se está num destes grupos, pode fazer sentido falar com o seu médico sobre vigilância regular da pele.
O erro mais comum: esperar para ver
Esperar algumas semanas pode parecer inofensivo, mas nem sempre é a melhor decisão quando um sinal muda.
Se a alteração é clara, recente e persistente, marque consulta. Quanto mais cedo uma lesão suspeita for avaliada, melhor.
Também não deve tentar remover sinais em casa, usar produtos “naturais” para queimar lesões ou seguir conselhos de redes sociais. Uma lesão suspeita deve ser vista por um médico.
Em resumo
O melanoma pode surgir num sinal antigo ou numa nova lesão. Por isso, conhecer a própria pele é uma das formas mais simples de detetar alterações cedo.
Não é preciso entrar em pânico. É preciso observar, proteger e não adiar a avaliação de sinais que mudam de forma, cor, tamanho ou textura.
Na prevenção do melanoma, a regra mais útil é esta: evitar queimaduras solares, proteger a pele e marcar consulta quando algo muda.
Fontes: