Contas de menores de 13 anos no WhatsApp: o que muda

Nuno Cruz

28 de Março, 2026

Mãe configura smartphone com controlo parental ao lado de uma criança

O WhatsApp lançou contas geridas por pais, mães ou responsáveis de menores de 13 anos. A novidade muda bastante a forma como uma criança pode usar a app: a experiência fica mais limitada e passa a existir controlo parental direto sobre contactos, grupos e várias definições de privacidade.

Na prática, isto não significa que o WhatsApp tenha passado a ser uma aplicação livre para qualquer menor. Significa antes que a empresa criou uma modalidade específica, pensada para pré-adolescentes, com mais controlo por parte da família e com regras próprias de ativação e gestão.

Em poucas linhas

  • O WhatsApp lançou contas geridas por pais para menores de 13 anos.
  • Os pais podem controlar contactos, grupos, privacidade e pedidos de contacto de desconhecidos.
  • O acesso ao controlo parental é protegido por PIN.
  • O lançamento é gradual e pode ainda não estar disponível em todas as regiões.

O que muda para os pais

Com estas contas, os pais passam a ter um papel ativo na gestão do WhatsApp da criança. Segundo a Meta, podem decidir quem pode contactar o menor, rever pedidos de contacto vindos de números desconhecidos, escolher em que grupos a criança pode participar e ajustar definições de privacidade da conta.

Além disso, o responsável pode ver e alterar dados como o nome da conta, foto de perfil, número de telefone e texto “sobre”. Também pode controlar quem vê certos elementos da conta, como a foto de perfil e o estado online, e gerir contactos e contactos bloqueados.

O que a criança pode fazer

A Meta apresenta estas contas como uma forma de limitar a experiência do WhatsApp a mensagens e chamadas. Isso coloca o foco na comunicação básica e não numa experiência mais ampla e aberta.

Ao mesmo tempo, o WhatsApp deixa claro que algumas ações continuam a poder ser feitas pela própria criança, como mexer em certos elementos do perfil ou bloquear contactos, mas essas alterações não podem sobrepor-se às definições escolhidas pelo pai, mãe ou responsável.

As mensagens continuam privadas?

Sim. O WhatsApp diz que as conversas pessoais destas contas continuam protegidas com encriptação de ponta a ponta. Isso significa que nem o próprio WhatsApp consegue ler ou ouvir o conteúdo dessas conversas.

Este ponto é relevante porque o controlo parental aqui não é apresentado como leitura total das mensagens. O foco está mais na gestão de quem pode contactar a criança, na configuração da conta e nos pedidos de contacto e grupos.

Como ativar o controlo parental no WhatsApp

Segundo a Meta, para começar é preciso ter o telemóvel do pai, mãe ou responsável e o telemóvel da criança lado a lado. A configuração liga as duas contas e cria a ligação entre a conta gerida e a conta do responsável. O processo é feito nos dois dispositivos e só fica concluído depois da confirmação no telemóvel do adulto.

Na prática, o processo funciona assim:

Passo 1: junte os dois telemóveis

Tenha por perto o telemóvel da criança e o seu. O WhatsApp pede esta ligação entre os dois dispositivos logo no início da configuração.

Passo 2: abra o WhatsApp no telemóvel da criança

No dispositivo da criança, inicie a criação da conta ou avance com para a configuração de uma conta para menor com supervisão parental.

Passo 3: associe a conta ao telemóvel do responsável

O WhatsApp vai pedir para ligar a conta da criança à conta do pai, mãe ou responsável. Esta parte exige confirmação no telemóvel do adulto.

Passo 4: confirme no telemóvel do responsável

No seu telemóvel, valide a associação entre as duas contas. É esta confirmação que ativa a gestão parental.

Passo 5: crie o PIN parental

Durante a configuração, o responsável tem de definir um PIN parental. Guarde esse código num local seguro, porque é ele que protege as definições e impede alterações sem autorização.

Passo 6: escolha os controlos que quer ativar

Depois da ligação entre contas, ajuste os pontos mais importantes:

  • quem pode contactar a criança;
  • quem a pode adicionar a grupos;
  • pedidos de contacto de números desconhecidos;
  • definições de privacidade, como foto de perfil e estado online;
  • gestão de contactos e contactos bloqueados.

Passo 7: confirme tudo no telemóvel da criança

No fim, volte ao dispositivo da criança e confirme se a conta ficou ligada ao responsável e se as restrições escolhidas já estão ativas.

Passo 8: teste as definições principais

Antes de dar o processo por terminado, confirme se o PIN está a funcionar e se as opções definidas pelo responsável não podem ser alteradas sem validação.

O que é possível controlar

1. Contactos

Os pais podem rever pedidos de contacto de números desconhecidos e decidir se esses números passam a ser contactos aprovados para a criança.

2. Grupos

O responsável pode decidir quem pode adicionar a criança a grupos e, segundo a política de privacidade específica, também pode decidir se a criança pode criar grupos.

3. Privacidade

É possível gerir elementos como foto de perfil, estado online e outras definições de visibilidade da conta.

4. Alertas e atividade

O Help Center do WhatsApp também refere alertas e gestão de atividade no universo destas contas geridas por pais, embora o detalhe exato das notificações possa variar consoante a fase do rollout e a região.

O que acontece quando a criança faz 13 anos

Quando a criança chega aos 13 anos, ou à idade mínima aplicável no respetivo país, o WhatsApp diz que pai/mãe/responsável e criança recebem uma notificação antecipada para a transição. Nessa fase, a criança pode passar a gerir a sua própria conta, depois de rever a política de privacidade e aceitar os termos do serviço.

Isto significa que a conta gerida por pais não é necessariamente permanente. Está pensada como etapa intermédia até à idade mínima para utilização autónoma da app.

Em resumo

As contas de menores de 13 anos no WhatsApp dão aos pais mais controlo sobre contactos, grupos, privacidade e pedidos de interação de desconhecidos. Ao mesmo tempo, mantêm a promessa de privacidade das conversas através da encriptação de ponta a ponta.

A grande mudança é esta: em vez de uma criança usar o WhatsApp como se fosse um adulto, passa a existir uma conta específica, com controlo parental real e ativação protegida por PIN.

Na prática, estas contas fazem mais sentido quando fazem parte de uma estratégia mais ampla de supervisão digital. Para muitos pais, isso passa não só por controlar contactos e grupos, mas também por rever notificações, tempo de uso e configurações gerais do telemóvel. Se quiser ir mais longe, pode ver o nosso guia sobre como fazer uma desintoxicação digital e configurar o smartphone, com passos práticos para reduzir distrações e melhorar o controlo.

Fontes: