Prestação da casa sobe em abril? Quem vai sentir o agravamento e quanto pode aumentar

Nuno Cruz

7 de Abril, 2026

Pessoa a fazer contas ao crédito da casa com documentos e calculadora

A prestação da casa pode subir em abril, mas o agravamento não apanha todos os créditos à habitação. Afeta sobretudo quem tem taxa variável, ou taxa mista já na fase variável, e tem revisão marcada para este mês.

É aí que entra março. Como a revisão de abril usa a média da Euribor do mês anterior, e março fechou em alta nos três prazos mais usados, há famílias que vão sentir a prestação a mexer já agora.

Em poucas linhas

  • A revisão da prestação em abril usa a média da Euribor de março.
  • As Euribor subiram nos prazos de 3, 6 e 12 meses.
  • Os contratos revistos em abril podem sofrer agravamentos mensais.
  • O impacto tende a ser maior nos créditos indexados à Euribor a 6 e 12 meses.

Porque é que a prestação pode subir agora

No crédito à habitação com taxa variável, a prestação não muda todos os meses com o mercado. Ela muda quando chega a data de revisão prevista no contrato. E, segundo o Banco de Portugal, os contratos revistos em abril usam a média das cotações da Euribor observadas em março.

Como março terminou com médias mais altas do que fevereiro nos três principais prazos, a consequência prática é esta: quem tiver revisão em abril pode apanhar uma prestação mais alta.

Quem é que vai sentir este agravamento

Não são todos os mutuários. A subida tende a afetar quem tem crédito com taxa variável indexada à Euribor a 3, 6 ou 12 meses e, no caso da taxa mista, quem já entrou na fase variável.

Também não basta ter um crédito à habitação. É preciso que a revisão regular da taxa aconteça agora. Se a sua próxima revisão for noutro mês, esta subida de março ainda não entra na prestação deste abril.

Quanto pode subir na prática

As simulações publicadas variam ligeiramente consoante a fonte e o cenário usado, mas a ideia geral é consistente: os contratos revistos em abril podem sofrer aumentos mensais que vão de poucos euros até valores acima dos 15 euros, com impacto mais forte nos indexantes de 6 e 12 meses.

Em simulações para um crédito de 150 mil euros, a 30 anos e com spread de 1%, há contas a apontar para prestações em torno de 641 euros com Euribor a 3 meses, 658 euros com Euribor a 6 meses e 679 euros com Euribor a 12 meses. Noutras simulações semelhantes, a seis meses o agravamento supera os 16 euros e a 12 meses ronda os 11 a 14 euros. Ou seja: o valor exato muda, mas a tendência não.

Porque é que a Euribor a 6 meses pesa tanto

Em Portugal, a Euribor a 6 meses continua a ser o indexante mais representativo dentro do stock de crédito à habitação com taxa variável. Isso ajuda a explicar porque é que tanta gente sente estas revisões com especial atenção.

Além disso, foi precisamente a Euribor a 6 meses que registou uma das subidas mensais mais relevantes em março, o que empurra para cima as revisões feitas agora em abril.

O que deve confirmar no seu contrato hoje

Se quer perceber rapidamente se esta subida lhe bate à porta, há três coisas que importam mais do que o resto: a data da próxima revisão, o indexante usado no contrato e o spread.

Se tiver dúvidas, este é um bom momento para pensar em rever as condições do crédito à habitação, porque olhar só para a prestação mensal pode esconder um empréstimo mais caro no conjunto.

Vale a pena tentar renegociar?

Depende do contrato e da margem que ainda tiver para negociar. Mas a recomendação de comparar condições, seguros, spread, TAEG e MTIC continua a fazer sentido, sobretudo quando a prestação volta a dar sinais de pressão.

Quem estiver a pensar numa transferência de crédito ou num novo pedido também pode querer perceber melhor como funcionam as decisões automáticas dos bancos. Para isso, deve ler o artigo sobre crédito recusado por algoritmo e o direito a saber.

Em resumo

A prestação da casa pode subir em abril, mas não de forma universal. O agravamento afeta sobretudo contratos com taxa variável – ou mista na fase variável – cuja revisão acontece este mês.

Como março fechou com Euribor mais alta nos três principais prazos, há famílias que vão sentir uma subida já na próxima prestação. Para perceber se é o seu caso, o caminho mais curto é: ver a data de revisão, confirmar o indexante e fazer contas antes de ser apanhado de surpresa.

Fontes: