O mosquito Aedes albopictus, conhecido como mosquito-tigre, alargou a sua presença em Portugal e foi identificado em 28 concelhos durante 2025. O dado consta do novo relatório REVIVE, divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.
É uma notícia que merece atenção, mas há uma diferença grande entre o que está confirmado e o que isto significa em termos de risco.
Em poucas linhas
- O Aedes albopictus foi identificado em 28 concelhos em 2025.
- Trata-se de uma expansão relevante face ao ano anterior.
- O mosquito tem capacidade para transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya.
- Isso aumenta o risco potencial de transmissão, mas não confirma um surto humano ativo no continente.
- As medidas de prevenção continuam a passar sobretudo pela eliminação de água parada e proteção contra picadas.
O que está confirmado
O relatório REVIVE 2025 do INSA confirma que o Aedes albopictus foi identificado em 28 concelhos portugueses ao longo do ano. O próprio instituto descreve este dado como um alargamento significativo face a 2024.
O mesmo relatório recorda também a cronologia da expansão em território nacional: a espécie foi detetada pela primeira vez no Norte em 2017, no Algarve em 2018, no Alentejo em 2022, na região de Lisboa em 2023 e na região Centro em 2024. Em 2025, a distribuição voltou a aumentar.
O que isto significa
Isto significa que o risco potencial de transmissão de doenças transmitidas por mosquitos Aedes aumenta. O INSA refere expressamente que estas espécies são vetoras de agentes etiológicos como os vírus dengue, Zika e chikungunya.
Na prática, a presença mais alargada do mosquito cria condições mais favoráveis para que um caso importado possa, em determinados contextos, abrir espaço a transmissão local. O risco não depende apenas da presença do mosquito, mas a presença do vetor é uma das peças fundamentais dessa equação.
É também por isso que entidades europeias e internacionais acompanham de perto a expansão do Aedes albopictus. O ECDC identifica esta espécie como vetor conhecido de dengue e chikungunya, e a OMS refere que o Aedes albopictus também pode transmitir zika.
O que isto não significa
Não significa, por si só, que exista um surto humano ativo em Portugal continental. A deteção do mosquito e a transmissão local de doença são duas coisas diferentes.
Aliás, os relatórios sazonais do ECDC sobre dengue em 2025 referem que os casos associados a Portugal estavam na Madeira, uma região ultraperiférica, e indicam mesmo que os dois casos reportados em janeiro foram provavelmente transmitidos em 2024. Isto é importante porque ajuda a travar uma leitura apressada de que qualquer deteção do mosquito no continente equivale a circulação ativa da doença.
Também em 2025, a Renascença noticiou várias deteções do mosquito em concelhos do continente com uma nota relevante: sem casos de transmissão de doenças associados a essas deteções. Ou seja, mais vigilância e mais presença do vetor não são automaticamente sinónimo de surto humano confirmado.
Porque é que as autoridades estão atentas
Porque a combinação entre expansão do vetor, alterações climáticas, mobilidade internacional e casos importados pode aumentar a probabilidade de transmissão local no futuro. O ECDC tem vindo a sublinhar precisamente esse risco crescente no espaço europeu.
Isso não pede pânico. Pede vigilância, deteção precoce e controlo.
O que deve fazer, na prática
A prevenção continua a ser bastante concreta. O mais importante é evitar água parada em pratos de vasos, baldes, garrafas, pneus, bidões e outros recipientes deixados no exterior. É aí que o mosquito encontra condições para se reproduzir.
Também faz sentido usar proteção individual contra picadas, sobretudo em zonas com presença conhecida do mosquito: repelente, roupa mais comprida em certos períodos do dia e atenção reforçada a janelas, portas e espaços exteriores domésticos.
Em resumo
O Aedes albopictus expandiu-se para 28 concelhos em 2025, e isso é um sinal claro de que o vetor está a ganhar terreno em Portugal. Essa expansão aumenta o risco potencial de transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya.
Mas o ponto principal é que o risco potencial não é sinónimo de surto ativo. Neste momento, o dado mais sólido é o da expansão do mosquito. O resto exige vigilância, precisão e menos alarmismo fácil.
Fontes: