Posso usar o protetor solar do ano passado?

Nuno Cruz

13 de Maio, 2026

Pessoa a verificar uma embalagem de protetor solar antigo antes de sair para o sol

Chega o calor, abre-se a gaveta da casa de banho ou o saco da praia e aparece uma embalagem meio usada de protetor solar. A pergunta é quase inevitável: ainda dá para usar?

A resposta curta é: depende. Um protetor solar do ano passado pode ainda estar em condições, mas não basta olhar para a embalagem e assumir que está tudo bem.

Em poucas linhas

  • Pode usar o protetor solar do ano passado se ainda estiver dentro da validade.
  • Se não tiver data visível, confirme quando foi comprado e quando foi aberto.
  • Veja o símbolo do boião aberto: 6M, 12M ou 24M indicam o tempo recomendado depois de abrir.
  • Se mudou de cheiro, cor, textura ou ficou separado, deve deitar fora.
  • Se esteve guardado no carro, ao sol ou em muito calor, não é boa ideia confiar nele.
  • Para praia, crianças, pele clara ou exposição intensa, é melhor não arriscar com produto duvidoso.

Afinal, pode ou não pode usar?

Pode, se cumprir três condições simples.

Primeira: o produto ainda está dentro da validade indicada na embalagem.

Segunda: foi guardado num local fresco, seco e longe da luz direta.

Terceira: não apresenta alterações no cheiro, na cor ou na textura.

Se uma destas condições falhar, o protetor solar pode já não proteger como esperado. O problema é que isso nem sempre se nota logo na pele. Pode dar uma falsa sensação de segurança.

Onde ver a validade do protetor solar?

Comece por procurar uma data de validade na embalagem, no fundo do frasco, na dobra da bisnaga ou na caixa, se ainda a tiver.

Também pode encontrar o símbolo de um boião aberto com uma indicação como 6M, 12M ou 24M. Este símbolo indica o período durante o qual o produto deve ser usado depois de aberto.

Por exemplo, se o símbolo indicar 12M, a regra prática é usar o produto até 12 meses depois da primeira abertura, desde que tenha sido bem conservado.

Se não se lembra quando abriu a embalagem, a decisão fica menos segura. Nesse caso, sobretudo se vai usar o produto em praia, piscina ou exposição intensa, é mais prudente comprar um novo.

O protetor solar estraga mesmo?

Sim. Como qualquer produto aplicado na pele, o protetor solar pode degradar-se com o tempo.

No caso dos protetores solares, a questão não é apenas o cheiro ou a textura. O mais importante é a eficácia da proteção contra a radiação UV.

A American Academy of Dermatology (Academia Americana de Dermatologia) recomenda deitar fora protetores solares fora de prazo, porque os ingredientes que protegem a pele podem degradar-se e deixar de proteger como esperado.

Ou seja, o produto pode parecer normal e ainda assim já não garantir a proteção indicada no rótulo.

Sinais de que deve deitar fora

Há sinais simples que devem levar a descartar o produto.

  • cheiro estranho ou diferente do habitual;
  • cor alterada;
  • textura granulosa;
  • produto separado em fases, como óleo e creme;
  • embalagem inchada, danificada ou com fuga;
  • data de validade ultrapassada;
  • dúvida sobre quando foi aberto.

Nestes casos, não tente aproveitar. Um protetor solar duvidoso pode não proteger bem no momento em que mais precisa dele.

E se esteve guardado no carro ou no saco da praia?

Este é um dos erros mais comuns.

O calor, a luz direta e a humidade podem acelerar a degradação do protetor solar. Uma embalagem que passou dias no carro, na praia ou numa varanda ao sol não merece a mesma confiança que uma embalagem guardada num armário fresco.

Mesmo dentro da validade, se o produto foi mal armazenado, o melhor é ser cauteloso.

Na prática, o protetor solar deve ser guardado fechado, longe do calor e da luz direta. Durante a praia, tente mantê-lo à sombra, dentro do saco e fora da areia.

Se está fechado, dura mais?

Um protetor solar fechado tende a conservar-se melhor do que um produto aberto, mas isso não significa que dure para sempre.

Se tem uma embalagem nova comprada no ano passado, dentro da validade e bem guardada, é provável que possa ser usada.

Se não sabe quando comprou, não encontra a data e a embalagem já anda perdida há várias estações, a decisão mais segura é deitar fora.

Quando não vale a pena arriscar

Há situações em que usar um protetor solar antigo ou duvidoso é uma má poupança.

  • crianças;
  • pele muito clara;
  • histórico de queimaduras solares fortes;
  • antecedentes pessoais ou familiares de cancro da pele;
  • primeiros dias de praia;
  • exposição prolongada entre o fim da manhã e a tarde;
  • índice UV elevado ou muito elevado.

Nestes casos, compensa mais garantir um produto em boas condições do que tentar aproveitar restos do verão anterior.

O FPS continua a ser o mesmo?

O FPS indicado no rótulo corresponde ao produto em boas condições, dentro do prazo e usado corretamente.

Se o protetor solar estiver degradado, mal conservado ou fora de prazo, não há forma simples de saber em casa se continua a oferecer o mesmo nível de proteção.

É por isso que a validade e o estado do produto importam. Não é apenas uma regra comercial. É uma questão de eficácia.

Também deve olhar para UVA e UVB

Quando comprar um novo protetor solar, não olhe só para o número do FPS.

O FPS está ligado sobretudo à proteção contra UVB, a radiação mais associada à queimadura solar. Mas a proteção contra UVA também é importante, porque os UVA penetram mais profundamente na pele e estão ligados ao envelhecimento cutâneo e a danos cumulativos.

Na União Europeia, os protetores solares são cosméticos e devem cumprir regras sobre eficácia e alegações. Procure produtos com indicação de proteção UVA, muitas vezes apresentada com “UVA” dentro de um círculo.

Se quiser comparar opções de forma simples, veja também o guia sobre protetores solares de supermercado que podem compensar em 2026.

Como usar para não sobrar tanto

Se uma embalagem de corpo dura vários verões, há uma possibilidade real: pode estar a usar pouco produto.

O protetor solar deve ser aplicado em quantidade generosa e reaplicado ao longo do dia, sobretudo depois de nadar, transpirar ou usar toalha.

Para o rosto, pescoço, braços, pernas, peito dos pés e zonas que ficam descobertas, é fácil gastar mais produto do que parece. Usar pouco reduz a proteção na prática.

Também ajuda separar produtos por uso: um protetor de rosto para o dia a dia e um protetor de corpo para praia ou piscina. Se está na dúvida sobre rótulos, pode ler o guia sobre como ler rótulos de skincare sem cair em promessas vagas.

Regra prática antes de sair de casa

Antes de usar o protetor solar do ano passado, faça esta verificação rápida:

  • tem validade e ainda não passou?
  • sabe quando abriu?
  • o período após abertura ainda está dentro do prazo?
  • foi guardado longe do calor e do sol?
  • cheira bem e tem textura normal?
  • não está separado, granulado ou alterado?

Se responder “não” a alguma destas perguntas, não é uma boa escolha para exposição solar forte.

Em resumo

Pode usar o protetor solar do ano passado se estiver dentro da validade, tiver sido bem guardado e não apresentar alterações.

Mas se há dúvidas sobre quando foi aberto, se esteve ao calor ou se mudou de aspeto, não vale a pena arriscar. A proteção solar só faz sentido se o produto ainda proteger como promete.

Na dúvida, sobretudo para praia, crianças ou exposição prolongada, compre um novo e guarde-o bem desde o primeiro dia.

Fontes: