Se a sua casa ficou danificada com o mau tempo (telhas voadas, infiltrações, água a entrar, muro a ceder), os primeiros 30 minutos fazem diferença: primeiro a segurança, depois as provas e só depois a limpeza e reparações. A Deco lembra que ter seguro multirriscos não garante automaticamente indemnização — é preciso cumprir o processo e confirmar coberturas.
Checklist rápida – 10 passos
- Confirme se está tudo bem (pessoas e animais). Se houver risco imediato, ligue 112.
- Não suba ao telhado nem se aproxime de estruturas instáveis.
- Se houver água perto de eletricidade, desligue o quadro geral (se for seguro fazê-lo).
- Se cheirar a gás, saia, não use interruptores e chame ajuda.
- Fotografe e filme tudo (antes de mexer): planos gerais + detalhes.
- Registe o que foi danificado (lista rápida de divisões + bens e valores aproximados).
- Evite deitar fora bens antes da peritagem (salvo risco de saúde ou segurança).
- Faça apenas reparações provisórias para evitar piorar danos (e guarde faturas).
- Participe o sinistro por escrito à seguradora, o mais cedo possível (idealmente no próprio dia).
- Confirme coberturas e franquias (tempestades, inundações, aluimento, remoção de escombros, alojamento).
1) Primeiro: segurança (antes de limpar)
- Risco de colapso ou derrocada: afaste-se e ligue 112.
- Eletricidade + água: se houver água a chegar a tomadas/eletrodomésticos, priorize desligar o quadro geral (apenas se for seguro). Em situações de cheias, as autoridades recomendam desligar gás e eletricidade e ficar em zonas mais elevadas.
- Cabos no chão: mantenha distância e avise os bombeiros ou ligue 112.
2) Provas: fotos e vídeos
Antes de limpar ou reparar, faça fotos e vídeos e registe todos os estragos visíveis. Isto é apontado como essencial para a avaliação do sinistro.
- Planos gerais (fachada, telhado, rua/terreno) + detalhes (fissuras, manchas, água, janelas danificadas).
- Se possível, inclua data e hora e um objeto para escala (régua, moeda, etc.).
- Faça uma lista por divisão (ex.: Sala: teto com infiltração, sofá molhado, TV afetada).
3) Posso deitar fora coisas estragadas?
Em regra, preserve os bens danificados até à peritagem. A orientação divulgada é guardar os itens, exceto se forem um risco para a saúde ou segurança.
Dica prática: se tiver mesmo de descartar (ex.: alimentos contaminados, materiais com bolor intenso), fotografe bem e guarde uma amostra/peça representativa quando fizer sentido.
4) Medidas provisórias: o que pode fazer sem estragar a peritagem
O objetivo é evitar que os danos aumentem, mas sem fazer reparações definitivas antes da seguradora orientar. Exemplos:
- Colocar lona temporária em zona de telhado exposta (se for seguro e/ou por profissional).
- Usar recipientes para conter água e afastar equipamentos elétricos da zona molhada.
- Ventilar e iniciar secagem, quando seguro.
Guarde todas as faturas (materiais, mão de obra urgente, alojamento temporário), porque podem ser reembolsáveis conforme a apólice.
5) Acionar o seguro multirriscos: como participar
Na maioria das seguradoras, o prazo de participação não costuma ultrapassar 8 dias, e a recomendação é participar por escrito o mais cedo possível (idealmente no próprio dia ou no dia seguinte).
Importante: a ASF (supervisor) esclareceu que ultrapassar o prazo de 8 dias não faz caducar automaticamente o direito à indemnização, especialmente em contexto de calamidade — mas atrasos podem complicar a perícia em alguns casos.
O que enviar na participação:
- Número da apólice e dados do tomador/segurado;
- Data/hora aproximada e descrição do que aconteceu (vento, chuva, queda de árvore, inundação);
- Lista de danos (edifício e/ou recheio) + fotos/vídeos;
- Se aplicável: contacto do condomínio/senhorio e indicação de danos a terceiros.
6) Que coberturas deve confirmar para não ter surpresas
A Deco recomenda confirmar se a apólice inclui, pelo menos:
- Tempestades (vento forte);
- Inundações (chuva intensa/transbordo);
- Aluimento de terras (deslizamentos/derrocadas);
- Demolição e remoção de escombros;
- Privação temporária do uso da habitação (pode cobrir alojamento alternativo).
Também é crucial verificar limites e franquias, porque podem reduzir bastante a indemnização — sobretudo em coberturas como inundações/aluimento.
7) Orçamentos e peritagem: como evitar atrasos
Algumas seguradoras podem exigir dois ou três orçamentos para as reparações — confirme antes de avançar com obras definitivas.
Boa prática: peça orçamentos com descrição detalhada (materiais + mão de obra + IVA) e mantenha tudo por escrito/email.
8) Prazos de resposta: o que é razoável esperar
A ASF publicou recomendações operacionais para multirriscos habitação, incluindo:
- Primeiro contacto até 4 dias úteis após a participação;
- Decisão/comunicação de responsabilidade e montantes até 25 dias úteis (edifício) ou 40 dias úteis (recheio/ambos), contados da receção da participação;
- Em situações excecionais com muitos sinistros, os prazos podem duplicar.
9) Se ficou sem luz: cuidado extra com geradores
Com cortes de energia, cresce a tentação de usar geradores. A DGS e a Proteção Civil divulgaram três regras simples para evitar intoxicações por monóxido de carbono:
- Nunca usar em espaços fechados (nem com portas/janelas abertas);
- Manter o gerador pelo menos a 6 metros da casa;
- Direcionar os gases de escape para longe das habitações.
Fontes
- Renascença — Danos em casa após o mau tempo? Saiba como acionar o seguro multirriscos
- ECO — Direito a indemnização mantém-se após fim do prazo de 8 dias
- ASF — Recomendações sobre regularização de sinistros em multirriscos habitação
- Renascença — Cheias e deslizamentos: recomendações da Proteção Civil
- Jornal de Negócios — Regras para usar geradores com segurança