Casa danificada pelo mau tempo? Checklist em 30 minutos

Nuno Cruz

14 de Fevereiro, 2026

Danos numa casa após chuva intensa e vento forte

Se a sua casa ficou danificada com o mau tempo (telhas voadas, infiltrações, água a entrar, muro a ceder), os primeiros 30 minutos fazem diferença: primeiro a segurança, depois as provas e só depois a limpeza e reparações. A Deco  lembra que ter seguro multirriscos não garante automaticamente indemnização — é preciso cumprir o processo e confirmar coberturas.

Checklist rápida – 10 passos

  1. Confirme se está tudo bem (pessoas e animais). Se houver risco imediato, ligue 112.
  2. Não suba ao telhado nem se aproxime de estruturas instáveis.
  3. Se houver água perto de eletricidade, desligue o quadro geral (se for seguro fazê-lo).
  4. Se cheirar a gás, saia, não use interruptores e chame ajuda.
  5. Fotografe e filme tudo (antes de mexer): planos gerais + detalhes.
  6. Registe o que foi danificado (lista rápida de divisões + bens e valores aproximados).
  7. Evite deitar fora bens antes da peritagem (salvo risco de saúde ou segurança).
  8. Faça apenas reparações provisórias para evitar piorar danos (e guarde faturas).
  9. Participe o sinistro por escrito à seguradora, o mais cedo possível (idealmente no próprio dia).
  10. Confirme coberturas e franquias (tempestades, inundações, aluimento, remoção de escombros, alojamento).

1) Primeiro: segurança (antes de limpar)

  • Risco de colapso ou derrocada: afaste-se e ligue 112.
  • Eletricidade + água: se houver água a chegar a tomadas/eletrodomésticos, priorize desligar o quadro geral (apenas se for seguro). Em situações de cheias, as autoridades recomendam desligar gás e eletricidade e ficar em zonas mais elevadas.
  • Cabos no chão: mantenha distância e avise os bombeiros ou ligue 112.

2) Provas: fotos e vídeos

Antes de limpar ou reparar, faça fotos e vídeos e registe todos os estragos visíveis. Isto é apontado como essencial para a avaliação do sinistro.

  • Planos gerais (fachada, telhado, rua/terreno) + detalhes (fissuras, manchas, água, janelas danificadas).
  • Se possível, inclua data e hora e um objeto para escala (régua, moeda, etc.).
  • Faça uma lista por divisão (ex.: Sala: teto com infiltração, sofá molhado, TV afetada).

3) Posso deitar fora coisas estragadas?

Em regra, preserve os bens danificados até à peritagem. A orientação divulgada é guardar os itens, exceto se forem um risco para a saúde ou segurança.

Dica prática: se tiver mesmo de descartar (ex.: alimentos contaminados, materiais com bolor intenso), fotografe bem e guarde uma amostra/peça representativa quando fizer sentido.

4) Medidas provisórias: o que pode fazer sem estragar a peritagem

O objetivo é evitar que os danos aumentem, mas sem fazer reparações definitivas antes da seguradora orientar. Exemplos:

  • Colocar lona temporária em zona de telhado exposta (se for seguro e/ou por profissional).
  • Usar recipientes para conter água e afastar equipamentos elétricos da zona molhada.
  • Ventilar e iniciar secagem, quando seguro.

Guarde todas as faturas (materiais, mão de obra urgente, alojamento temporário), porque podem ser reembolsáveis conforme a apólice.

5) Acionar o seguro multirriscos: como participar

Na maioria das seguradoras, o prazo de participação não costuma ultrapassar 8 dias, e a recomendação é participar por escrito o mais cedo possível (idealmente no próprio dia ou no dia seguinte).

Importante: a ASF (supervisor) esclareceu que ultrapassar o prazo de 8 dias não faz caducar automaticamente o direito à indemnização, especialmente em contexto de calamidade — mas atrasos podem complicar a perícia em alguns casos.

O que enviar na participação:

  • Número da apólice e dados do tomador/segurado;
  • Data/hora aproximada e descrição do que aconteceu (vento, chuva, queda de árvore, inundação);
  • Lista de danos (edifício e/ou recheio) + fotos/vídeos;
  • Se aplicável: contacto do condomínio/senhorio e indicação de danos a terceiros.

6) Que coberturas deve confirmar para não ter surpresas

A Deco recomenda confirmar se a apólice inclui, pelo menos:

  • Tempestades (vento forte);
  • Inundações (chuva intensa/transbordo);
  • Aluimento de terras (deslizamentos/derrocadas);
  • Demolição e remoção de escombros;
  • Privação temporária do uso da habitação (pode cobrir alojamento alternativo).

Também é crucial verificar limites e franquias, porque podem reduzir bastante a indemnização — sobretudo em coberturas como inundações/aluimento.

7) Orçamentos e peritagem: como evitar atrasos

Algumas seguradoras podem exigir dois ou três orçamentos para as reparações — confirme antes de avançar com obras definitivas.

Boa prática: peça orçamentos com descrição detalhada (materiais + mão de obra + IVA) e mantenha tudo por escrito/email.

8) Prazos de resposta: o que é razoável esperar

A ASF publicou recomendações operacionais para multirriscos habitação, incluindo:

  • Primeiro contacto até 4 dias úteis após a participação;
  • Decisão/comunicação de responsabilidade e montantes até 25 dias úteis (edifício) ou 40 dias úteis (recheio/ambos), contados da receção da participação;
  • Em situações excecionais com muitos sinistros, os prazos podem duplicar.

9) Se ficou sem luz: cuidado extra com geradores

Com cortes de energia, cresce a tentação de usar geradores. A DGS e a Proteção Civil divulgaram três regras simples para evitar intoxicações por monóxido de carbono:

  • Nunca usar em espaços fechados (nem com portas/janelas abertas);
  • Manter o gerador pelo menos a 6 metros da casa;
  • Direcionar os gases de escape para longe das habitações.

Fontes