As carraças aparecem mais nesta altura do ano e não devem ser vistas como um problema menor. Para quem passa tempo no campo, em jardins, em parques, em zonas com erva alta ou em contacto com animais, o risco aumenta bastante entre a primavera e o outono.
O perigo não está só na picada. Está no facto de algumas carraças poderem transmitir doenças. Por isso, o mais importante não é entrar em pânico, mas saber onde o risco sobe, como prevenir e o que fazer se encontrar uma agarrada à pele.
Em poucas linhas
- As carraças tornam-se mais ativas da primavera ao outono.
- São mais frequentes em erva alta, mato, florestas, zonas rurais e em animais.
- Em Portugal, podem estar associadas a doenças como febre escaro-nodular e borreliose de Lyme.
- A prevenção passa por roupa protetora, repelente, inspeção do corpo e remoção rápida da carraça.
Em que altura do ano há mais carraças
Na Europa, a atividade das carraças aumenta sobretudo da primavera ao outono. O ECDC lembra que, com a chegada do tempo mais quente, a época das carraças começa em grande parte da Europa e prolonga-se durante os meses mais favoráveis.
Isto não quer dizer que desapareçam totalmente fora dessa fase. Mas é nesta altura do ano que o risco cresce mais para quem anda ao ar livre.
Onde é mais fácil apanhá-las
As carraças preferem zonas com erva alta, mato, fetos, vegetação densa e áreas de passagem de animais. O ECDC recomenda precisamente evitar ou atravessar com cuidado locais desse tipo.
Na prática, isso inclui trilhos, zonas rurais, jardins menos cuidados, parques naturais, quintas e locais onde haja contacto frequente com cães, gatos ou outros animais.
Porque é que podem ser perigosas
O problema das carraças é que podem transmitir agentes infeciosos ao ser humano. O INSA explica que, em Portugal, as doenças mais frequentes associadas a carraças são a febre escaro-nodular, também chamada febre da carraça, e a borreliose de Lyme.
Nem todas as picadas dão origem a doença. Mas o risco existe, e é isso que justifica a atenção dada à prevenção e à remoção rápida.
Que sintomas devem preocupar
O INSA chama a atenção para sintomas como febre, cansaço, dor de cabeça, sintomas semelhantes aos de gripe e erupção cutânea avermelhada. Nalguns casos pode também surgir uma lesão escura ou crosta no local da picada.
Se houver sintomas nos dias seguintes a uma picada, o mais prudente é não desvalorizar e referir sempre esse contacto quando procurar ajuda.
Como evitar carraças
A prevenção começa antes do passeio. O ECDC recomenda roupa protetora, como mangas compridas e calças compridas, de preferência com as calças por dentro das meias ou das botas. Também aconselha roupa clara, porque ajuda a ver melhor uma carraça antes de ela se fixar.
Outro ponto importante é usar repelente na pele exposta e, quando adequado, também na roupa. E depois de regressar a casa, deve sempre inspecionar o corpo com atenção.
Onde deve procurar no corpo
As carraças tendem a preferir zonas de pele mais macia e áreas com pelos. O ECDC recomenda verificar o corpo inteiro depois de atividades ao ar livre, com atenção especial a dobras, virilhas, axilas, atrás dos joelhos, couro cabeludo e atrás das orelhas.
Nas crianças, essa verificação deve ser ainda mais cuidadosa. E também convém inspecionar os animais que tenham estado no exterior.
Como remover uma carraça em segurança
O ECDC recomenda retirar a carraça o mais cedo possível, puxando-a para fora de forma reta com uma pinça ou com uma ferramenta própria para remoção. Se não tiver esse material, a recomendação é ainda assim removê-la de forma firme e cuidadosa.
O objetivo é evitar esmagá-la ou deixá-la agarrada mais tempo do que o necessário. Depois, deve lavar a zona e vigiar o aparecimento de sintomas nos dias seguintes.
O erro mais comum
O erro mais frequente é achar que uma carraça pequena “não faz mal” ou deixá-la ficar até mais tarde. O segundo erro é não olhar para o corpo depois de uma caminhada ou tarde no campo.
A prevenção mais eficaz não é complicada. Mas exige rotina: roupa adequada, inspeção do corpo e remoção rápida.
Em resumo
As carraças tornam-se mais ativas nesta altura do ano e podem representar um risco real, sobretudo em zonas de mato, erva alta e ambientes rurais.
Em Portugal, estão associadas a doenças como a febre escaro-nodular e a borreliose de Lyme. O mais importante é prevenir a picada, inspecionar o corpo depois de atividades ao ar livre e agir depressa se encontrar uma carraça agarrada à pele.
Fontes: