Blue Monday: o que é e de onde vem
11:14h - 19 de Janeiro, 2026 | Nuno

Blue Monday: o que é e de onde vem

Blue Monday
Blue Monday

Todos os anos, por volta de meados de janeiro, surgem notícias e publicações nas redes sociais a falar da “Blue Monday”, apresentada como o suposto dia mais triste do ano. Fala-se de fórmulas matemáticas, de estudos e de explicações que prometem justificar o desânimo típico do pós-festas. Mas será mesmo assim? Vamos ver o que é a Blue Monday, de onde veio esta ideia, porque não tem base científica sólida e o que pode realmente ajudar quando o humor está mais em baixo nesta altura do ano.

O que é a Blue Monday?

A expressão “Blue Monday” é usada para designar um dia específico de janeiro, muitas vezes a terceira segunda-feira do mês, apresentado como o dia mais triste ou mais deprimente do ano. A ideia é que, nesse dia, várias condições se juntam:

  • O fim das festas de Natal e passagem de ano.
  • O regresso à rotina de trabalho ou estudo.
  • As contas de dezembro a chegar.
  • O tempo frio, chuvoso e com poucos dias de sol.
  • O cansaço acumulado do início do ano.

Segundo a narrativa popular, tudo isto faria dessa segunda-feira um dia especialmente pesado para grande parte das pessoas. No entanto, quando se analisa a origem da Blue Monday com atenção, a história é bem diferente.

A origem da ideia de Blue Monday

A Blue Monday não nasceu de um estudo académico independente nem de uma recomendação de organizações de saúde. A expressão foi criada no início dos anos 2000 no contexto de uma campanha de marketing de uma empresa de viagens, que queria promover reservas em janeiro, sugerindo que planear férias ajudaria a combater o “dia mais triste do ano”.

Nessa campanha foi apresentada uma suposta fórmula matemática que combinaria fatores como o tempo, as dívidas, o tempo desde o Natal e a motivação. Essa fórmula foi amplamente criticada por especialistas, por não seguir critérios científicos e por misturar variáveis de forma arbitrária.

Apesar disso, a ideia pegou. A expressão “Blue Monday” passou a ser repetida em meios de comunicação e redes sociais, muitas vezes sem explicar que a sua origem está ligada sobretudo a marketing, e não a ciência.

Porque a Blue Monday não é uma verdade científica

Do ponto de vista científico, é muito difícil apontar um único dia como o “mais triste do ano” para toda a gente. As emoções humanas são complexas e influenciadas por múltiplos fatores pessoais, sociais e de saúde.

  • As experiências são diferentes: cada pessoa vive o calendário à sua maneira, com alegrias, desafios e datas marcantes próprias.
  • Não há dados sólidos: não existe um conjunto robusto de estudos que demonstre que, num determinado dia de janeiro, o nível médio de tristeza ou depressão seja claramente superior ao de outros dias.
  • As fórmulas usadas na origem da Blue Monday foram criticadas por não seguirem critérios científicos reconhecidos.

Isto não significa que janeiro seja um mês fácil para toda a gente. Muitas pessoas sentem, de facto, mais cansaço, desmotivação ou tristeza neste período. A diferença é que estes sentimentos não se concentram magicamente num dia específico, nem se resolvem com fórmulas simples.

O que pode tornar janeiro um mês mais difícil

Mesmo que a Blue Monday seja, na prática, um mito mediático, há razões concretas que explicam porque é que janeiro pode parecer mais pesado para muitas pessoas.

  • Fim das festividades: depois de semanas com luzes, encontros e atividades diferentes, o regresso à rotina pode criar sensação de vazio.
  • Desafios financeiros: despesas de Natal e de fim de ano podem apertar o orçamento, gerando preocupação.
  • Condições meteorológicas: dias mais curtos, com frio e chuva, podem afetar o humor e a energia.
  • Pressão de resoluções de ano novo: promessas ambiciosas podem rapidamente gerar frustração quando não são cumpridas.
  • Sensação de balanço: olhar para o ano que passou pode trazer à memória situações difíceis ou metas não alcançadas.

Estes fatores são reais e variam de pessoa para pessoa. A diferença é que não se concentram obrigatoriamente num único dia marcado no calendário.

Tristeza de inverno, depressão e quando procurar ajuda

Algumas pessoas sentem um impacto mais forte das mudanças de estação e da falta de luz natural, o que pode contribuir para sintomas de tristeza, apatia e cansaço. Em contextos específicos, fala-se em perturbação afetiva sazonal, um tipo de depressão associada a determinadas épocas do ano.

Importa distinguir entre um dia mais cinzento e uma situação de sofrimento emocional prolongado. De forma geral, recomenda-se procurar ajuda profissional quando:

  • O humor deprimido, a falta de energia ou a irritabilidade se mantêm durante várias semanas.
  • Surgem alterações marcadas de sono ou apetite.
  • Há dificuldade em cumprir tarefas básicas do dia a dia.
  • Aparecem pensamentos frequentes de desespero, inutilidade ou morte.

Perante sinais deste tipo, é importante falar com um médico de família, psicólogo ou psiquiatra.

Estratégias práticas para lidar com o desânimo típico de janeiro

Embora a Blue Monday seja sobretudo uma criação de marketing, a verdade é que muitos leitores sentem o peso do inverno, das contas e do regresso à rotina. Há, no entanto, pequenas estratégias que podem ajudar a tornar este período mais leve.

Cuidar da rotina básica

  • Manter horários de sono relativamente estáveis, mesmo aos fins de semana.
  • Sair de casa quando possível, aproveitando pequenos momentos de luz natural.
  • Fazer refeições regulares, com alimentos variados e pouco processados, sempre que a situação o permitir.

Introduzir pequenos momentos agradáveis

  • Reservar alguns minutos por dia para atividades simples e prazerosas, como ler, ouvir música, telefonar a alguém ou fazer um hobby.
  • Usar o inverno para criar ambientes confortáveis em casa, com mantas, luz suave e bebidas quentes.
  • Planear encontros curtos com amigos ou família, sem necessidade de grandes produções.

Rever expectativas e metas de início de ano

  • Transformar resoluções muito amplas em objetivos pequenos e concretos, mais fáceis de cumprir.
  • Permitir-se ajustar ou adiar metas, em vez de viver com a sensação de falhanço constante.
  • Focar-se em um hábito de cada vez, em vez de tentar mudar tudo simultaneamente.

Estas estratégias não eliminam, por si só, problemas estruturais, mas podem ajudar a criar algum espaço de bem-estar num mês que muitas pessoas percebem como mais pesado.

A Blue Monday pode até ser um tema curioso para conversar, mas não deve servir para banalizar o sofrimento real nem para fazer de conta que um dia “especial” explica todos os desafios do inverno.

Veja também o artigo: Como evitar o desvanecimento das resoluções de ano novo

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