Um violento sismo abalou esta segunda-feira o norte do Japão, gerou um alerta de tsunami para várias províncias costeiras e fez tremer edifícios a centenas de quilómetros do epicentro, incluindo em Tóquio.
O alerta viria a ser cancelado ao fim da tarde, mas as autoridades japonesas já avisaram que poderão ocorrer novos abalos nos próximos dias.
- O sismo ocorreu às 16h53 locais (08h53 em Lisboa), com epicentro no Pacífico, ao largo da província de Iwate.
- A magnitude foi inicialmente avaliada em 7,4 e depois reavaliada para 7,7.
- Foi emitido alerta de tsunami para Hokkaido, Aomori, Iwate e Fukushima, com ondas previstas de até três metros.
- Uma onda de 80 centímetros atingiu o porto de Kuji, na província de Iwate, cerca de 41 minutos após o abalo.
- O alerta de tsunami foi cancelado pouco depois das 20h locais (12h em Lisboa).
- Até ao momento, não há registo de vítimas mortais.
- O Governo japonês emitiu um alerta adicional para a possibilidade de um sismo ainda mais forte, de magnitude superior a 8,0.
O que aconteceu
O tremor teve origem nas águas do Pacífico, ao largo da costa norte da província de Iwate, a uma profundidade de apenas dez quilómetros, o que contribui para uma maior intensidade sentida em superfície. A Agência Meteorológica do Japão (JMA) registou o abalo às 16h53 hora local e emitiu de imediato alertas de tsunami para as zonas costeiras que se estendem desde Hokkaido até à província de Fukushima.
Os abalos foram suficientemente violentos para fazer abanar grandes edifícios em Tóquio durante mais de um minuto, a várias centenas de quilómetros do epicentro.
O tsunami chegou, mas ficou abaixo do esperado
Cerca de 41 minutos após o sismo, uma onda de 70 centímetros atingiu o porto de Kuji, na província de Iwate. Dois minutos depois, registou-se uma segunda vaga de 80 centímetros, a mais alta registada até ao momento. A emissora pública NHK, que interrompeu a programação normal, alertou que mesmo ondas desta dimensão são suficientemente fortes para derrubar pessoas.
O alerta de tsunami seria cancelado pouco após as 20h locais. As imagens transmitidas em direto pela televisão japonesa não mostravam estragos significativos nas zonas portuárias afetadas.
A resposta das autoridades
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, divulgou uma mensagem em vídeo a pedir às populações que abandonassem imediatamente as zonas costeiras e ribeirinhas em direção a locais elevados. O Governo formou uma equipa de emergência e o porta-voz executivo, Minoru Kihara, confirmou que as autoridades estavam a avaliar a extensão dos danos humanos e materiais.
Os serviços de comboio de alta velocidade (shinkansen) foram interrompidos e algumas autoestradas encerradas como medida de precaução. As províncias mais próximas do epicentro, incluindo Otsuchi e Kamaishi – duas das cidades mais devastadas pelo tsunami de 2011 – emitiram ordens de evacuação para milhares de moradores.
O risco não acabou com o cancelamento do alerta
A JMA avisou que são esperados novos sismos de magnitude semelhante na mesma zona nos próximos dias. Mais preocupante ainda: o Governo japonês emitiu um alerta formal para a possibilidade de ocorrer um abalo ainda mais forte, com magnitude superior a 8,0.
A agência meteorológica sublinhou que “não é certo que um sismo de grandes proporções venha efetivamente a ocorrer”, mas pediu à população que tome medidas de preparação para catástrofes. As ondas de maremoto, alertou ainda a JMA, podem continuar a atingir a costa de forma repetida mesmo depois de o alerta principal ser cancelado.
Porquê o Japão é tão vulnerável a sismos
O Japão situa-se sobre o chamado Anel de Fogo, uma cadeia de vulcões e fossas oceânicas que percorre parcialmente a bacia do Pacífico. O país regista cerca de 20% de todos os sismos de magnitude 6,0 ou superior a nível mundial, o equivalente a um abalo a cada cinco minutos, em média.
Esta realidade geológica levou o Japão a desenvolver, ao longo de décadas, infraestruturas e sistemas de alerta entre os mais avançados do mundo. O abalo desta segunda-feira recordou inevitavelmente o sismo e tsunami devastadores de março de 2011, que matou cerca de 20 mil pessoas, mas o cenário desta vez parece muito diferente, sem vítimas confirmadas até ao momento.
Em resumo
Um sismo de magnitude 7,7 abalou esta segunda-feira o norte do Japão, gerou alertas de tsunami para várias províncias costeiras e motivou uma resposta imediata do Governo. O alerta de tsunami foi cancelado ao final do dia, com ondas que ficaram abaixo do temido e sem vítimas confirmadas até ao momento. As autoridades alertam, no entanto, para a possibilidade de novos abalos nos próximos dias, incluindo um potencialmente mais violento do que o de hoje.
Fontes:
- Público – Sismo de magnitude 7,5 atinge Japão, alerta de tsunami cancelado
- Observador – Sismo violento de magnitude 7,5 registado ao largo do Japão com alerta de tsunami
- Diário de Aveiro / Lusa – Onda de tsunami de 80 centímetros atinge Japão
- Jornal Económico – Japão alerta para possibilidade de sismo de magnitude superior a 8,0
- Correio da Manhã- Sismo de magnitude 7,4 abala Japão