O retrato de Marcelo feito de jornais já está exposto

Nuno Cruz

7 de Março, 2026

Fotografia de Marcelo Rebelo de Sousa com Vhils, com o retrato oficial como fundo.

O retrato oficial de Marcelo Rebelo de Sousa foi apresentado a 4 de março e já pode ser visto no Museu da Presidência da República. A obra, assinada por Alexandre Farto, conhecido como Vhils, está a chamar a atenção por quebrar uma tradição antiga da Galeria dos Retratos.

O motivo é simples: pela primeira vez, aquele espaço recebe um retrato presidencial que não assenta na pintura sobre tela. Em vez disso, surge uma peça feita de colagem, baixo-relevo e textura, construída a partir de jornais e revistas ligados à última década.

Em poucas linhas

  • O retrato oficial de Marcelo Rebelo de Sousa foi apresentado a 4 de março.
  • A obra é da autoria de Vhils, nome artístico de Alexandre Farto.
  • Está exposta na Galeria dos Retratos do Museu da Presidência da República.
  • É a primeira peça daquela galeria a não assentar na pintura sobre tela.

O que torna este retrato presidencial diferente

O novo retrato oficial de Marcelo Rebelo de Sousa não segue o formato mais esperado num espaço como a Galeria dos Retratos. Em vez de uma pintura tradicional, Vhils trabalhou uma superfície feita de camadas de papel, com relevo, perfuração e desgaste controlado.

O artista partiu de uma fotografia de Rui Ochoa, fotógrafo oficial de Marcelo Rebelo de Sousa. Depois, selecionou jornais e revistas com notícias sobre alguns dos momentos mais marcantes do país e dos dois mandatos presidenciais.

Mas não é apenas um retrato presidencial: é uma peça feita de camadas de notícias, memória e uma década de país.

Porque está a dar que falar agora

Há um motivo simples para o tema estar a circular: a apresentação oficial aconteceu esta semana e a obra já está acessível ao público no museu. Num ciclo presidencial que chega ao fim, o retrato aparece também como um gesto simbólico de balanço e de memória.

Além disso, o nome do autor ajuda a explicar a curiosidade em torno da obra. Vhils é um dos artistas portugueses mais reconhecidos internacionalmente e leva para o espaço institucional uma linguagem visual normalmente associada à arte urbana, à matéria e à intervenção sobre superfícies.

Na cerimónia, Marcelo Rebelo de Sousa descreveu a escolha de Vhils como a sua “ideia mais louca” no cargo. A frase ajuda a perceber porque é que este retrato está a ser visto menos como protocolo e mais como uma pequena rutura com assinatura própria.

Um retrato feito de jornais, relevo e tempo

Ao olhar para a peça, o que se impõe não é só o rosto. É também a textura. Há camadas, cortes, profundidade e marcas do papel que deixam a sensação de que o retrato foi escavado a partir do ruído dos últimos dez anos.

Essa opção faz sentido com a figura retratada. Marcelo Rebelo de Sousa foi um Presidente omnipresente no espaço mediático, muito comentado, muito fotografado e muito falado. Vhils transformou essa abundância de notícias em matéria visual.

O resultado é um retrato oficial de Marcelo que parece menos solene do que o habitual, mas mais ligado ao tempo em que foi feito. E talvez seja isso que o torna mais fácil de partilhar, comentar e recordar.

FAQ

Onde está exposto?

Na Galeria dos Retratos do Museu da Presidência da República, em Lisboa.

Quem é o autor?

O autor é Alexandre Farto, conhecido como Vhils, artista português com trabalho reconhecido em Portugal e no estrangeiro.

Porque é que se fala em quebra de tradição?

Porque, segundo o Museu da Presidência, esta é a primeira vez que um retrato daquela galeria não assenta na pintura sobre tela.

Há mais alguma novidade ligada à apresentação?

Sim. Por sugestão de Vhils, foram também adquiridas obras de 11 artistas emergentes para a coleção do Museu da Presidência da República.

O que este retrato diz sem precisar de falar

Os retratos oficiais costumam fixar uma imagem. Este faz mais do que isso: deixa ver camadas de contexto. Em vez de esconder o tempo, incorpora-o.

É por isso que a obra está a prender atenção mesmo fora da política. Num museu cheio de retratos formais, este escolhe papel, relevo e memória. E a primeira reação pode muito bem ser a mais simples: parar e olhar duas vezes.

Fontes: