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Um AVC pode começar de forma súbita e nem sempre aparece como nas séries ou nos filmes. Às vezes, o sinal é uma boca ligeiramente desviada. Outras vezes, é um braço que deixa de responder ou uma frase que sai confusa.
O ponto essencial é este: perante suspeita de AVC, não se deve esperar para ver se passa. Deve ligar-se 112.
Boca ao lado, falta de força num braço e dificuldade em falar são três sinais de alerta que justificam uma chamada imediata para o 112.
Em poucas linhas
- AVC significa acidente vascular cerebral.
- É uma emergência médica.
- Os sinais podem surgir de repente.
- Os três sinais mais fáceis de memorizar são: face, força e fala.
- Mesmo que os sintomas melhorem, deve procurar ajuda urgente.
- Em Portugal, a chamada certa perante suspeita de AVC é o 112.
Os 3 sinais de AVC que deve conhecer
A Direção-Geral da Saúde identifica três sinais de alerta principais perante a suspeita de AVC. São simples de observar e podem ajudar qualquer pessoa a agir mais depressa.
1. Boca ao lado
Peça à pessoa para sorrir. Se um lado da face estiver descaído, se a boca estiver desviada ou se houver assimetria súbita, é um sinal de alerta.
Nem sempre é muito evidente. Pode parecer apenas uma expressão estranha ou uma dificuldade em mexer metade do rosto.
2. Falta de força num braço
Peça à pessoa para levantar os dois braços. Se um deles cair, se não conseguir subir ou se houver perda súbita de força num lado do corpo, deve suspeitar de AVC.
A falta de força também pode afetar uma perna ou um lado inteiro do corpo.
3. Dificuldade em falar
A fala pode ficar arrastada, confusa ou difícil de perceber. A pessoa pode também ter dificuldade em encontrar palavras, responder a perguntas simples ou compreender o que lhe estão a dizer.
Este sinal é muitas vezes confundido com cansaço, stress ou confusão passageira. Esse atraso pode ser perigoso.
O que fazer perante suspeita de AVC
Se notar um destes sinais, ligue 112 de imediato. Não conduza a pessoa para o hospital por iniciativa própria, a menos que receba essa indicação das autoridades de emergência.
Ao ligar, explique de forma simples:
- o que aconteceu;
- a hora aproximada em que os sintomas começaram;
- a localização exata;
- a idade aparente da pessoa;
- os sinais que está a observar;
- se a pessoa tem doenças conhecidas ou toma medicação, se souber.
O INEM recomenda que a chamada só seja desligada quando o operador indicar. A informação dada ao telefone ajuda a orientar a resposta e o encaminhamento.
Porque é que não deve esperar que passe?
O AVC acontece quando há uma alteração no fluxo de sangue no cérebro. Pode resultar de uma obstrução num vaso sanguíneo ou de uma hemorragia.
Em ambos os casos, o tempo conta. Quanto mais cedo houver avaliação médica, maior é a possibilidade de encaminhamento adequado e tratamento dentro da janela útil, quando indicado.
Há ainda situações em que os sintomas melhoram ao fim de minutos ou horas. Mesmo assim, não devem ser ignoradas. Podem corresponder a um acidente isquémico transitório, muitas vezes descrito como um aviso de risco futuro.
AVC não acontece só a pessoas muito idosas
O risco aumenta com a idade, mas o AVC pode acontecer em diferentes fases da vida. Há fatores que não se controlam, como idade, história familiar ou AVC anterior. Mas há outros que podem ser vigiados e tratados.
Entre os fatores de risco modificáveis estão hipertensão arterial, tabaco, colesterol elevado, diabetes, excesso de peso, sedentarismo, alimentação pouco equilibrada e consumo nocivo de álcool.
Isto não significa que uma pessoa consiga eliminar todo o risco. Significa que controlar estes fatores pode reduzir a probabilidade de um evento vascular.
Como reduzir o risco no dia a dia
Esta parte não substitui acompanhamento médico, mas há medidas gerais que fazem sentido para a maioria das pessoas.
- Medir a tensão arterial com regularidade, sobretudo se houver histórico familiar ou idade mais avançada.
- Não fumar e evitar exposição frequente ao fumo.
- Controlar diabetes, colesterol e doenças cardíacas com acompanhamento clínico.
- Manter atividade física regular, ajustada à idade e condição de saúde.
- Reduzir o excesso de sal e privilegiar uma alimentação variada.
- Não interromper medicação prescrita sem falar com um profissional de saúde.
O erro mais comum: achar que é só cansaço
Um dos maiores problemas é desvalorizar sinais súbitos. Uma fala estranha pode ser vista como confusão. Um braço fraco pode ser atribuído a má posição durante o sono. Uma boca desviada pode parecer apenas uma expressão facial diferente.
Mas, quando estes sinais aparecem de repente, a decisão deve ser simples: ligar 112.
Em resumo
O AVC é uma emergência médica. Os sinais mais fáceis de fixar são boca ao lado, falta de força num braço e dificuldade em falar.
Se vir algum destes sinais, não espere, não tente resolver em casa e não trate como uma indisposição normal. Ligue 112 e siga as instruções do operador.
Reconhecer estes sinais não é alarmismo. É literacia em saúde. E pode fazer diferença numa casa, num local de trabalho, num café ou na rua.
Fontes:
- SNS 24 – Acidente Vascular Cerebral (AVC)
- Direção-Geral da Saúde – Via Verde do Acidente Vascular Cerebral no Adulto
- INEM – Gestos que salvam, o que fazer em caso de AVC
- Organização Mundial da Saúde – Stroke
- World Stroke Organization – World Stroke Day
- INE – Estatísticas da mortalidade por causas de morte