Artemis II: a missão tripulada da NASA à volta da Lua

Nuno Cruz

8 de Abril, 2026

Vista da Terra a erguer-se por trás do horizonte lunar durante a missão Artemis II

A Artemis II já está em voo e é muito mais do que uma missão simbólica. Pela primeira vez desde a era Apollo, astronautas da NASA voltaram a partir para um sobrevoo tripulado da Lua.

Lançada a 1 de abril de 2026, a missão leva quatro astronautas a bordo da cápsula Orion numa viagem de cerca de 10 dias. O objetivo não é pousar na Lua, mas testar em condições reais os sistemas que terão de funcionar quando a NASA tentar missões lunares mais ambiciosas nos próximos anos.

Em poucas linhas

  • A Artemis II é a primeira missão tripulada do programa Artemis.
  • Foi lançada a 1 de abril de 2026 com quatro astronautas a bordo.
  • Já completou o sobrevoo lunar e está na fase de regresso à Terra.
  • A missão serve para validar a Orion, o foguetão SLS e operações humanas em espaço profundo.
  • A amerissagem está prevista para 10 de abril, salvo alterações operacionais.

O que é a Artemis II

A Artemis II é o primeiro voo tripulado do programa Artemis da NASA e também o primeiro teste com astronautas do foguetão Space Launch System (SLS) e da cápsula Orion em espaço profundo.

Ao contrário da Artemis I, que foi um voo não tripulado, esta missão leva pessoas a bordo e testa a nave, os sistemas de suporte de vida, as operações de voo e a forma como a equipa responde numa viagem real até às imediações da Lua.

Quem vai a bordo

A tripulação da Artemis II é composta por quatro astronautas: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadiana.

É também uma tripulação com peso histórico próprio. Victor Glover e Christina Koch já tinham forte visibilidade pública no programa espacial americano, e Jeremy Hansen torna-se o primeiro canadiano destacado para uma missão lunar do programa Artemis.

O que já aconteceu na missão

Depois do lançamento a 1 de abril, a Orion completou as manobras necessárias para sair da órbita terrestre e seguir em direção à Lua. Nos dias seguintes, a NASA foi divulgando atualizações sobre testes de bordo, demonstrações de fatos, registo de imagens e preparação para o sobrevoo lunar.

A fase mais marcante aconteceu a 6 de abril, quando a tripulação realizou o flyby lunar. Foi o primeiro sobrevoo tripulado da Lua por astronautas da NASA desde 1972. A partir daí, a missão entrou na trajetória de regresso à Terra.

Porque é que isto é histórico

Porque quebra um intervalo de mais de meio século. Desde o fim das missões Apollo que a NASA não enviava astronautas para uma viagem tripulada em torno da Lua.

Mas a importância da Artemis II não está apenas nesse regresso simbólico. A missão é a ponte entre o ensaio automático da Artemis I e as próximas missões que a NASA quer usar para voltar a colocar astronautas nas proximidades e, mais tarde, na superfície lunar.

O que está a ser testado

A missão serve para validar vários elementos ao mesmo tempo: o comportamento da Orion em espaço profundo, a integração com o SLS, os sistemas de comunicações, a navegação, os procedimentos de segurança e a vida a bordo durante vários dias fora da órbita baixa da Terra.

É precisamente por isso que esta missão não precisa de pousar para ser decisiva. Se falhar aqui, a arquitetura das próximas etapas fica imediatamente sob pressão. Se correr bem, a NASA ganha confiança operacional para avançar.

E agora, o que falta?

Depois do flyby lunar, a missão entrou na fase de regresso. A NASA indicou amaragem prevista ao largo de San Diego a 10 de abril, com recuperação no mar por equipas especializadas.

Até lá, a Orion continua a ser monitorizada e a missão ainda pode produzir mais imagens e atualizações relevantes. O fim da viagem será quase tão importante como o início, porque a reentrada e a recuperação fazem parte do teste completo.

O que isto pode mudar no programa Artemis

Se a missão terminar como previsto, a Artemis II reforça a ideia de que a NASA voltou a ter uma capacidade humana credível para missões lunares. Isso não resolve automaticamente todos os desafios do programa, mas dá um passo que há poucos anos ainda parecia distante.

A partir daqui, o que o público vai querer saber é simples: quando é que este ensaio se transforma numa missão com nova aproximação operacional à superfície lunar e que margem real existe para cumprir esse calendário.

Em resumo

A Artemis II já está em voo e marca o regresso de astronautas da NASA a uma missão tripulada em torno da Lua mais de 50 anos depois. A viagem já completou o sobrevoo lunar e está agora na fase de regresso à Terra.

Mais do que espetáculo, esta é uma missão de validação. Se correr bem, a NASA dá um passo importante para voltar a levar humanos cada vez mais longe no programa Artemis.

Fontes: