Preços das casas dispararam em 2025

Nuno Cruz

8 de Abril, 2026

Pessoas a olhar para prédios residenciais numa zona urbana em Portugal

Os preços das casas em Portugal dispararam em 2025 e os novos dados europeus ajudam a perceber melhor a dimensão do salto. A subida média anual foi de 17,6%, a mais elevada da série do INE, e o 4.º trimestre fechou ainda mais quente, com uma subida homóloga de 18,9%.

O dado impressiona ainda mais porque não veio sozinho. No mesmo ano, venderam-se mais casas, por mais dinheiro, e Portugal surgiu entre os países da União Europeia com maior pressão nos preços da habitação.

Em poucas linhas

  • Os preços da habitação subiram 17,6% em 2025, a maior subida da série disponível do INE.
  • No 4.º trimestre de 2025, Portugal registou uma subida homóloga de 18,9%, a segunda maior da UE.
  • Entre 2015 e o 4.º trimestre de 2025, os preços das casas acumularam uma valorização de 180% em Portugal.
  • Foram vendidas 169.812 casas, mais 8,6% do que em 2024.
  • O valor total das transações chegou a 41,2 mil milhões de euros.
  • As casas existentes subiram mais do que as novas.

O que mostram os números do INE

O Instituto Nacional de Estatística indica que o Índice de Preços da Habitação aumentou 17,6% em 2025, mais 8,5 pontos percentuais do que em 2024. É a taxa média anual mais elevada desde o início da série disponível.

Ao mesmo tempo, o mercado manteve um volume muito forte de atividade. No ano passado foram transacionadas 169.812 habitações, num total de 41,2 mil milhões de euros. Em número, isso representa uma subida de 8,6%. Em valor, o aumento foi ainda maior.

O novo dado do Eurostat reforça a leitura

O Eurostat acrescenta uma camada importante a este retrato. No 4.º trimestre de 2025, os preços das casas em Portugal subiram 18,9% face ao mesmo período de 2024, o que colocou o país com a segunda maior subida homóloga da União Europeia, apenas atrás da Hungria.

Também em cadeia, face ao trimestre anterior, Portugal registou uma subida de 4,0%, uma das mais altas da UE. Isto ajuda a perceber que o mercado não só fechou 2025 em alta, como o fez num ritmo ainda muito forte no fim do ano.

Não foi só um pico: a pressão vem de trás

Há outro número que ajuda a pôr a dimensão do problema em perspetiva. Entre 2015 e o 4.º trimestre de 2025, os preços das casas em Portugal acumularam uma subida de 180%.

Ou seja, não estamos apenas perante um ano muito forte. Estamos perante uma década de valorização agressiva da habitação, que ajuda a explicar porque é que o problema da acessibilidade já não se resume a uma perceção de mercado: está visível nos próprios indicadores europeus.

Foram sobretudo as casas existentes a puxar pelos preços

Há outro detalhe importante: foram sobretudo as casas existentes a puxar pelos preços. Ao longo do ano, os preços das habitações existentes subiram mais do que os das novas, o que ajuda a perceber onde a pressão esteve mais concentrada.

Isto sugere que a tensão não está apenas ligada a produto novo ou a nichos mais premium. A pressão parece ter-se espalhado com força também pelo mercado já existente, que continua a ser a porta de entrada mais realista para muitos compradores.

Porque é que isto importa

O tema já não é apenas as casas continuarem caras. O que estes números mostram é outra coisa: mesmo depois de anos de pressão, o mercado continuou a valorizar de forma muito forte, e Portugal aparece entre os casos mais extremos da UE quando se olha para a subida acumulada da última década.

Para quem quer comprar, isto significa um cenário mais difícil. Para quem já tem casa, pode significar valorização patrimonial. Mas para o mercado no conjunto, o sinal é de tensão persistente entre preços, oferta e capacidade real de compra.

Nem tudo cresceu da mesma forma

Apesar do salto anual, o 4.º trimestre trouxe um detalhe que merece atenção: o número de transações caiu 4,7% face ao mesmo período de 2024. Ainda assim, o valor das vendas subiu 5,9%.

Isso ajuda a perceber melhor o momento atual. Mesmo com menos casas vendidas no fim do ano, o dinheiro movimentado continuou a aumentar, o que sugere que os preços médios se mantiveram sob forte pressão.

O que isto pode querer dizer para 2026

Os dados agora divulgados não chegam para dizer que os preços vão continuar a subir ao mesmo ritmo em 2026. Mas mostram, com bastante clareza, que a travagem esperada por muita gente não apareceu em 2025.

Se estiver a pensar comprar casa este ano, o mais prudente é olhar para o mercado com menos ilusão: não basta esperar que os preços desçam. Faz mais sentido seguir preços locais, capacidade de financiamento e o custo total do crédito, porque o valor pedido por metro quadrado não conta a história toda.

Se estiver nessa fase, pode também ajudar rever o artigo sobre rever as condições do crédito à habitação, sobretudo num momento em que preço da casa e custo do financiamento continuam a pesar em conjunto.

Em resumo

Em 2025, os preços das casas em Portugal subiram 17,6% e atingiram a maior taxa da série do INE. No 4.º trimestre, a subida homóloga chegou a 18,9%, e o novo retrato do Eurostat mostra que Portugal esteve entre os países com maior pressão na UE.

O mercado fechou o ano sem sinal claro de alívio. E o dado dos 180% de valorização acumulada desde 2015 ajuda a perceber que a crise de acessibilidade não é apenas um problema de um ano particularmente mau: é o resultado de uma década de escalada.

Fontes: